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terça-feira, 6 de março de 2018

Paulo Gonçalves assessor jurídico do Benfica foi detido!

Benfica deu emprego no museu do clube a sobrinho de funcionário judicial 

Assessor jurídico da SAD do clube, Paulo Gonçalves, foi detido esta terça-feira e acompanha buscas na Luz.


    Paulo Gonçalves, diretor do departamento jurídico do Benfica e braço direito de Luís Filipe Vieira, foi esta manhã detido pela Polícia Judiciária sob suspeita de, em nome da SAD do clube, ter subornado três funcionários judiciais para lhe fornecerem peças processuais do chamado 'caso dos mails' - em que o Benfica e os seus dirigentes são investigados, no DIAP de Lisboa, por corrupção desportiva, num alegado esquema com árbitros e observadores dos mesmos. 

  O assessor jurídico da SAD da Luz já estará, sob custódia da PJ, nas instalações do Estádio da Luz, onde irá acompanhar as buscas ao seu escritório, sabe o CM. Esta operação recebeu o nome de "Operação e-toupeira".

 Foi esta a forma encontrada pelos encarnados, desde junho do ano passado, para tentarem acompanhar a par e passo tudo o que estava a ser feito pela Justiça - e ao mesmo tempo anteciparem eventuais operações da PJ. 

      Paulo Gonçalves teve acesso a processos que envolvem FC Porto e Sporting. Por isso a sociedade de advogados Vieira de Almeida chegou a dar formações a funcionários do Benfica sobre a forma de se comportarem em caso de buscas à SAD - e, quando as mesmas aconteceram, em outubro, a PJ chegou a encontrar documentos processuais, que estão em segredo de justiça, nas instalações do clube. 
                  
      Além disso, os oficiais de justiça também terão passado a Paulo Gonçalves documentos de processos em que são visados dirigentes do Sporting e do FC Porto.

          Os funcionários dos tribunais de Guimarães e de Fafe, um dos quais está também detido pela Unidade de Combate à Corrupção da PJ, entraram no sistema CITIUS - base de dados da justiça - com passwords e códigos de acesso deles e abusivamente em nome magistrados do Ministério Público, tendo acedido centenas de vezes a processos judiciais como os casos dos mails e dos vouchers, entre outros. 

Paulo Gonçalves ofereceu emprego a sobrinho de funcionário judicial. Quanto às contrapartidas dadas por Paulo Gonçalves aos oficiais de justiça subornados, direta ou indiretamente através do empresário Óscar, passavam por convites VIP para assistirem a jogos do Benfica na Luz e fora de casa, e oferta de produtos de merchandising do clube, como camisolas da equipa principal.  

Para além disso, e segundo avançou a Sábado, um sobrinho de um dos funcionários judiciais visados nesta operação terá sido, igualmente, contratado pelo Benfica para trabalhar no Museu Cosme Damião, o museu do clube.  

     Na operação de hoje, que está a passar por novas buscas à SAD do Benfica, na porta 18 do estádio da Luz, e a outros locais, como os tribunais de Guimarães e de Fafe, onde foram cometidos os crimes, estão envolvidos mais de 40 inspetores da PJ - para além de procuradores do MP, juízes e um representante da Ordem dos Advogados, que acompanha as buscas ao escritório de Paulo Gonçalves e a detenção do mesmo. 

    Paulo Gonçalves acompanha buscas sob detenção. Segundo apurou o CM no local, Paulo Gonçalves foi detido esta manhã na sua casa, em Santarém, e foi encaminhado para o seu gabinete, no Estádio da Luz, onde irá acompanhar, sob detenção, as buscas da Polícia Judiciária. 

      Depois, deverá passar a noite nos calabouços da polícia, uma vez que, segundo avança a Sábado, o interrogatório judicial estará agendado para quarta-feira, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. 

     PJ confirma Operação e-toupeira. A Polícia Judiciária já confirmou a detenção de "dois homens pela presumível prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal". 

    Em comunicado, a PJ adianta que a operação envolveu cerca de "50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público", sendo que "foram realizadas trinta buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa" que levaram à "apreensão de relevantes elementos probatórios".

       A investigação, denominada e-toupeira, foi iniciada "há quase meio ano" para averiguar "o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários". 

Também é confirmado que os detidos vão ser sujeitos a primeiro interrogatório judicial e que a investigação prossegue. 

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